terça-feira, 30 de novembro de 2010

É vida, não é jogo.

São pessoas, não números.
Sentimentos não são lógicos.
A desigualdade é calculada antecipadamente.

Nos sonhos e no papel o mundo é mais justo.
Em leis somos ilusoriamente iguais.
Na prática há uma pirâmide monetária.
Quem ocupa o topo tem seus privilégios
Aos “outros” resta o resto.
As migalhas babadas de dentes podres.

Pessoas endeusadas, colocadas em pedestais.
Inferioriza quem eles ousam chamar de “pessoas normais”
Sou eu, és tu, somos todos nós.

Aqueles que devem se manter atrás da linha de proteção.
Aqueles que se humilham por uma foto.
Aqueles de quem eles se protegem em suas mansões com alarme.
Por nós contratam seguranças.

Vejo sim, só não acredito.
Que possamos ser tão iludidos.
Eles tem medo, que um dia enxerguem.
Mas sabem que talvez passem-se séculos, sem que percebam.

Como tudo aconteceu?
Quando começou?
De quem surgiu a idéia da lavagem cerebral?

Quanta falsidade para atingir seus ideais.
Não ser digno de respeito não é problema.
Não há limites.
Pois não há satisfação.
Não existe perfeição.

Diariamente
Nascem pessoas
Morrem pessoas, aos nossos olhos
Sabemos a causa, vertem evidências.
Mas viramos a cara, pura descrença.

Ninguém quer ouvir.
Todos falam sem parar.
Mas de fato, nada dizem.

Se existe um céu, o inferno é aqui.
Inunda maldade.
A sanidade talvez seja a grande loucura.

Que ideais para o futuro deve-se ter
Quando tudo em que acredita se perde?
Quando não há verdade?

Seria clichê falar em desigualdade?
Seria ingênuo demais acreditar que um dia alguma coisa possa mudar?
Talvez.Cada cabeça pensa conforme suas vantagens.
Olhos que enxergam um mundo, além do campo de visão, não deixam mais outros pensamentos desviar o caminho.

Um dia a conta vai ser cobrada.

sábado, 6 de novembro de 2010

as ruas do porto.

Vazias de gente
Cheias de pressa

A pressa estressa
Irrita e traz brigas
Eles dizem abominar
Mas é evidente em suas vidas

Vidas essas
Sem cor
Não tem amor, nem uma trilha

Suas metas monetárias
Nunca são atingidas.
Pois o “querer” é sempre maior que “ter”

Quem está ao seu lado, nunca está perto o bastante
Estão sempre distantes, em um mundo egocêntrico

Te conto um romance.
Me chama de ingênua.
Não sei o quero, por que devo saber?

É tudo produto, mercadoria.
Nem mesmo a vida pode imperar.

Não sei cozinhar, as vezes ouso escrever, não tenho dinheiro, ao menos sei ler.
Não estou a venda, sai da vitrine, se sabes de tudo então ensine.

Ensine ao pobre por que só lhe resta o conformismo.
E ao filho do rico por que existem as diferenças.
Ensine a quem chega a usar um óculos que disfarce seu olhar preconceituoso as pessoas rotuladas.

Me explique por que tantos se contradizem.
E por que juras nunca são levadas a sério.
Por que o homem se acha tão superior e insiste em seu erro de destruir o que não criou.

Esse porto não é tão alegre

As vezes me conforta
Posso chamar a terra de minha
Nasci, cresci e conheci, aqui.

Não pode cortar, a raiz é profunda
Não tomo chimarrão, nem sei cavalgar
Não sou uma prenda, as músicas não me atraem
Mas não são detalhes que definem.
Uma gaúcha leva sempre o sul no coração.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"ver o mundo"

O despertador insistentemente ressoa um barulho mal-educado, o qual me tira de um sonho confortante.

O pego então, faço calar, por mais uns minutos, talvez consiga voltar, no aconchego de minha cama, para o lugar que a pouco me abrigava.
Não consigo, mas o cansaço comanda meu corpo, a preguiça também ajuda, enquanto isso os minutos viram dezenas e de repente me percebo atrasada.
Uma súbita coragem tira meu corpo da cama, a semana se inicia, segunda-feira cheira a rotina.
Visto aquele velho uniforme azul desbotado, deixo meu corpo arrastar-se levemente apressado pelo caminho diário.
Chego na sala, sento, finjo estudar, converso com aquelas três meninas de todos os dias, as quais me fazem companhia.Brinco, rio, me estresso um pouco, as vezes durmo, faço os trabalhos, torço pra ir bem nas provas.
Aquela escada parece interminável, cansa.
O recreio não seria o mesmo se elas não estivessem ali, eu sei que não.
O principio do fim começa então a atormentar.
A rotina será outra, não mais essa, não mais com essas pessoas, com aquelas roupas azuis, aquelas manhãs.
É triste saber que vai acontecer e que não posso fazer nada para impedir, aos poucos vou perder o contato até com a minha melhor amiga, um dia a encontre talvez e o único assunto entre nós será dos dias passados, quando dividíamos as manhãs e um pouco de nossas vidas.
Muitos não verei mais, um dia eu sei que vou relembrar alguns destes dias e desejar estar lá novamente, sentir o cheiro daquela inocência que jurei não ter, ouvir aquelas vozes aflitas por atenção e me sentir realmente presente.
A semana acabou, mas cada dia parecia segunda.
Sexta-feira a noite, me deparo desanimada, um livro de poesias a minha frente convida a “ver o mundo”, quem poderia imaginar que no meio de tantos outros perdidos em um baú de promoções na feira do livro, estaria ele ali, esperando ansioso por mim, estava destinado a ser meu.
Suas poesias livres não possuem regras, não é popular, não tem capa chamativa, não quer ser notado por qualquer um. Estava curiosamente camuflado a minha espera.
Dias e dias sem nenhuma inspiração.
A tempos não havia animo nem sequer para uma leitura e não tinha a mínima vontade de transformar alguns pensamentos em um texto de palavras perdidas.
Mas este livro simples, em uma sexta a noite, me ordenou, “veja o mundo”, fale com ele, sinta ele, não deixe que se vá, pois da janela do meu quarto eu posso vê-lo, posso tocar, posso ouvir.
Não são muitas as pessoas que apreciam a poesia.
Ela só existe pra quem consegue decifrar, não são fáceis como textos explicativos, elas duvidam, questionam e desafiam a entender talvez o que tem a dizer.
Tento fazer dos meus dias os mais fugitivos possíveis.
Fugir do pensar.
A rotina engole o dia e a noite deixo que os sonhos comandem, não quero parar para não pensar na angustia, no quanto sinto inveja das pessoas que podem desfrutar da rotina ao lado dele, do quanto eu queria estar lá, não pensar que quando vejo aquele lindo pôr-do-sol não tem ninguém ao meu lado e as noites do final de semana não tem a magia que a um tempo tinha.
As vezes me sinto terrivelmente ingênua, mas não vejo como um problema, tudo que sinto está em mim e isso ninguém pode roubar.
Pensar que estou e não estou ao mesmo tempo e que as vezes a minha incrível repentina insegurança tenta dizer que alguma coisa está diferente.
Talvez esteja mesmo.
Ouvi dizer que as pessoas mudam a todo tempo e que cada dia, por mais igual que pareça, é diferente.
Pensar faz visível a solidão, deixa algumas coisas mais nítidas.
Já não são mais os minutos que viraram dezenas, agora semanas e meses também.
O tempo passa, passa, as vezes para um pouco.
E eu ainda estou aqui, tentando “ver o mundo” da minha janela.






"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente E quando a gente manda, ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude, nem doença sem cura.Na mudança de postura a gente fica mais seguro.Na mudança do presente a gente molda o futuro.."


Gabriel o Pensador