sábado, 11 de dezembro de 2010

então..

O céu amanhecendo, começa a ganhar seus tons azulados.

Meus olhos se abrem calmos e a primeira coisa que vêm a mente, não é bem uma “coisa”, é uma pessoa, é “ele”.
Os pés relutantes saem da cama, silenciosamente descem as escadas, ligam a máquina que o traz em alguns segundos para perto.
A foto, as palavras, as não palavras, as pertinentes expectativas.
O dia se vai, ela acompanha ele, em algum lugar, distante.
Na rua pessoas, pessoas invisíveis.
Transporta a elas o rosto dele.
Fecha os olhos e lembra, vê e sente.
Quando os abre os braços desaparecem e tudo volta ao normal, aparentemente.
Mas surge então uma nostalgia amarga e forte.
E a presença da ausência parece mais clara.
Não sente mais o gosto do último beijo, nem seu cheiro, nem o som da voz, o tocar de suas mãos..
Mas principalmente, não consegue sentir o sentimento dele..
Os dias passam, com eles o tempo, consigo a distância das palavras.
A distância do que era tão necessário a pouco tempo.
Mas ele ainda está ali em todo amanhecer, durante o dia e quando a noite cai.
Ele ainda se faz presente nos devaneios e faz com que todo o resto perca a importância.
Pensar nele é o conforto de cada momento difícil.
E pensar que logo vou ter os verdadeiros braços por perto, afasta um pouco a nostalgia.
Mas estes dias parecem décadas e esse silêncio sufoca.
Algumas pessoas são sim um tanto quanto frias, mas não significa que gostem que sejam com elas.
Eu tenho superado algumas limitações, mas não parecem relativas.
Por que elas soam como perguntas sem respostas.
E no momento então não sei em que pensar e como agir.
Devo seguir?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

what?

Nos enganamos quando achamos que estamos certos.

Estamos certos quando achamos que estamos enganados.
Mas o que fazer?
Parar, juntar os restos e jogar fora?
Postar-se no zero novamente?
Quando já tinha plena convicção de que seus planos dariam certo..
Daria a isto o nome de fraqueza ou coragem?
Seria insensato procurar um cantinho solitário e esconder-se um pouco das imensas dúvidas que os outros lhe trazem?
Neste momento então começamos a nos perder.
Não a perdição agradável, que muitos almejam, a rendição do que é imposto, a perdição do poder e limitações.
Mas sim a perdição negativa, aquela que soma todas as interrogações, multiplica por opiniões e se encontra desnorteada.
Pois a vida desta incógnita é guiada por rédeas alheias.
E quando uma vida se deixa guiar por outras vidas perdidas, só tende a cair, o mais depressa e fundo possível.
Ela para!
Entre pólos que a repelem e atraem.
Compreender pessoas é impossível, a contradição nos rodeia.
As vezes parecem mesmo todos macacos.
Aqueles ensinados, que imitam o que o homem faz, por um pouco de carinho e alimento, por uns minutos no palco iluminado.
Mas eles são obrigados, eles foram literalmente escravizados.
E nós?
Não há chicotes, há manipulação.
Não existem grades de fato, mas sentimos como se houvessem por toda volta.
Sentimos a ilustre necessidade de seguir tendências e dar notória importância ao que vão pensar, em como deveríamos agir em frente a “tais pessoas” e nos deixamos manipular e somos usados.
Lucram a nossas custas, enquanto acreditamos que se importam.
E a culpa é toda nossa.
Nascemos em um mundo já formado, em um sistema já engajado e corrupto, porém cada pessoa tem uma linha de pensamento, uma personalidade e caráter, isso tudo independentemente de condições financeiras, culturais, e afins.
Com isso a culpa de deixar-se manipular, aceitar ser submisso e conformado, são os méritos de quem fica calado.
O mundo é grande, tem espaço pra todos.
Por que deixamos poucas pessoas tomar conta de mais que a metade?
E todo o resto ali apertado, sufocando.
Não queremos guerra pela paz.
Se existem traficantes é por que o meio os criou.
E não é matando que todos os problemas se resolvem.
A mídia torna herói quem lhe convém.
Assista ao noticiário se quiser, mas não se deixe levar por toda encenação e maquiagem.
São todos muito atenciosos diante das câmeras.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

É vida, não é jogo.

São pessoas, não números.
Sentimentos não são lógicos.
A desigualdade é calculada antecipadamente.

Nos sonhos e no papel o mundo é mais justo.
Em leis somos ilusoriamente iguais.
Na prática há uma pirâmide monetária.
Quem ocupa o topo tem seus privilégios
Aos “outros” resta o resto.
As migalhas babadas de dentes podres.

Pessoas endeusadas, colocadas em pedestais.
Inferioriza quem eles ousam chamar de “pessoas normais”
Sou eu, és tu, somos todos nós.

Aqueles que devem se manter atrás da linha de proteção.
Aqueles que se humilham por uma foto.
Aqueles de quem eles se protegem em suas mansões com alarme.
Por nós contratam seguranças.

Vejo sim, só não acredito.
Que possamos ser tão iludidos.
Eles tem medo, que um dia enxerguem.
Mas sabem que talvez passem-se séculos, sem que percebam.

Como tudo aconteceu?
Quando começou?
De quem surgiu a idéia da lavagem cerebral?

Quanta falsidade para atingir seus ideais.
Não ser digno de respeito não é problema.
Não há limites.
Pois não há satisfação.
Não existe perfeição.

Diariamente
Nascem pessoas
Morrem pessoas, aos nossos olhos
Sabemos a causa, vertem evidências.
Mas viramos a cara, pura descrença.

Ninguém quer ouvir.
Todos falam sem parar.
Mas de fato, nada dizem.

Se existe um céu, o inferno é aqui.
Inunda maldade.
A sanidade talvez seja a grande loucura.

Que ideais para o futuro deve-se ter
Quando tudo em que acredita se perde?
Quando não há verdade?

Seria clichê falar em desigualdade?
Seria ingênuo demais acreditar que um dia alguma coisa possa mudar?
Talvez.Cada cabeça pensa conforme suas vantagens.
Olhos que enxergam um mundo, além do campo de visão, não deixam mais outros pensamentos desviar o caminho.

Um dia a conta vai ser cobrada.

sábado, 6 de novembro de 2010

as ruas do porto.

Vazias de gente
Cheias de pressa

A pressa estressa
Irrita e traz brigas
Eles dizem abominar
Mas é evidente em suas vidas

Vidas essas
Sem cor
Não tem amor, nem uma trilha

Suas metas monetárias
Nunca são atingidas.
Pois o “querer” é sempre maior que “ter”

Quem está ao seu lado, nunca está perto o bastante
Estão sempre distantes, em um mundo egocêntrico

Te conto um romance.
Me chama de ingênua.
Não sei o quero, por que devo saber?

É tudo produto, mercadoria.
Nem mesmo a vida pode imperar.

Não sei cozinhar, as vezes ouso escrever, não tenho dinheiro, ao menos sei ler.
Não estou a venda, sai da vitrine, se sabes de tudo então ensine.

Ensine ao pobre por que só lhe resta o conformismo.
E ao filho do rico por que existem as diferenças.
Ensine a quem chega a usar um óculos que disfarce seu olhar preconceituoso as pessoas rotuladas.

Me explique por que tantos se contradizem.
E por que juras nunca são levadas a sério.
Por que o homem se acha tão superior e insiste em seu erro de destruir o que não criou.

Esse porto não é tão alegre

As vezes me conforta
Posso chamar a terra de minha
Nasci, cresci e conheci, aqui.

Não pode cortar, a raiz é profunda
Não tomo chimarrão, nem sei cavalgar
Não sou uma prenda, as músicas não me atraem
Mas não são detalhes que definem.
Uma gaúcha leva sempre o sul no coração.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"ver o mundo"

O despertador insistentemente ressoa um barulho mal-educado, o qual me tira de um sonho confortante.

O pego então, faço calar, por mais uns minutos, talvez consiga voltar, no aconchego de minha cama, para o lugar que a pouco me abrigava.
Não consigo, mas o cansaço comanda meu corpo, a preguiça também ajuda, enquanto isso os minutos viram dezenas e de repente me percebo atrasada.
Uma súbita coragem tira meu corpo da cama, a semana se inicia, segunda-feira cheira a rotina.
Visto aquele velho uniforme azul desbotado, deixo meu corpo arrastar-se levemente apressado pelo caminho diário.
Chego na sala, sento, finjo estudar, converso com aquelas três meninas de todos os dias, as quais me fazem companhia.Brinco, rio, me estresso um pouco, as vezes durmo, faço os trabalhos, torço pra ir bem nas provas.
Aquela escada parece interminável, cansa.
O recreio não seria o mesmo se elas não estivessem ali, eu sei que não.
O principio do fim começa então a atormentar.
A rotina será outra, não mais essa, não mais com essas pessoas, com aquelas roupas azuis, aquelas manhãs.
É triste saber que vai acontecer e que não posso fazer nada para impedir, aos poucos vou perder o contato até com a minha melhor amiga, um dia a encontre talvez e o único assunto entre nós será dos dias passados, quando dividíamos as manhãs e um pouco de nossas vidas.
Muitos não verei mais, um dia eu sei que vou relembrar alguns destes dias e desejar estar lá novamente, sentir o cheiro daquela inocência que jurei não ter, ouvir aquelas vozes aflitas por atenção e me sentir realmente presente.
A semana acabou, mas cada dia parecia segunda.
Sexta-feira a noite, me deparo desanimada, um livro de poesias a minha frente convida a “ver o mundo”, quem poderia imaginar que no meio de tantos outros perdidos em um baú de promoções na feira do livro, estaria ele ali, esperando ansioso por mim, estava destinado a ser meu.
Suas poesias livres não possuem regras, não é popular, não tem capa chamativa, não quer ser notado por qualquer um. Estava curiosamente camuflado a minha espera.
Dias e dias sem nenhuma inspiração.
A tempos não havia animo nem sequer para uma leitura e não tinha a mínima vontade de transformar alguns pensamentos em um texto de palavras perdidas.
Mas este livro simples, em uma sexta a noite, me ordenou, “veja o mundo”, fale com ele, sinta ele, não deixe que se vá, pois da janela do meu quarto eu posso vê-lo, posso tocar, posso ouvir.
Não são muitas as pessoas que apreciam a poesia.
Ela só existe pra quem consegue decifrar, não são fáceis como textos explicativos, elas duvidam, questionam e desafiam a entender talvez o que tem a dizer.
Tento fazer dos meus dias os mais fugitivos possíveis.
Fugir do pensar.
A rotina engole o dia e a noite deixo que os sonhos comandem, não quero parar para não pensar na angustia, no quanto sinto inveja das pessoas que podem desfrutar da rotina ao lado dele, do quanto eu queria estar lá, não pensar que quando vejo aquele lindo pôr-do-sol não tem ninguém ao meu lado e as noites do final de semana não tem a magia que a um tempo tinha.
As vezes me sinto terrivelmente ingênua, mas não vejo como um problema, tudo que sinto está em mim e isso ninguém pode roubar.
Pensar que estou e não estou ao mesmo tempo e que as vezes a minha incrível repentina insegurança tenta dizer que alguma coisa está diferente.
Talvez esteja mesmo.
Ouvi dizer que as pessoas mudam a todo tempo e que cada dia, por mais igual que pareça, é diferente.
Pensar faz visível a solidão, deixa algumas coisas mais nítidas.
Já não são mais os minutos que viraram dezenas, agora semanas e meses também.
O tempo passa, passa, as vezes para um pouco.
E eu ainda estou aqui, tentando “ver o mundo” da minha janela.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

como vai indo? isso importa?..

Não é necessário dedicar muito tempo, nem muita atenção, para perceber que as pessoas não tem levado nada a sério..

Por que a política é tão chata e não procuramos nos informar um pouco mais?
Por que uma propaganda direcionada a um público alvo, simulando o que seus olhos querem ver, acabam por decidir o futuro do país?
Por que deixar a sorte decidir o futuro de seus filhos, seu presente e o equilíbrio do mundo?
Talvez seja por nos contentarmos com pouco, com o “eu finjo que faço, você finge que ouve, todos fingimos que as coisas estão bem” e deixa tudo de lado, um dia alguém concerta, quando não houver mais solução, o problema não será mais nosso..
Cobramos muito do mundo, deixamos para culpar a qualquer outro, nunca a nós mesmos..
É o mundo que está um caos e precisa mudar para que possamos nele viver?
Ou somos nós que somos extremamente folgados, egoístas, destruidores e imparciais?
Nós somos o problema do mundo.
Não exigimos o melhor de nós mesmos, exigimos o mínimo, não usamos nem a metade de nossos neurônios, não procuramos alternativas para melhorar e salvar aquilo que estragamos, muito pelo contrário, procuramos a camuflagem, somos sim egoístas, manipulados e iludidos por uma vida de conformismo e medo.
Deixamos questões políticas e o nosso dinheiro suado nas mãos de pessoas com condutas questionáveis, muitas vezes eu me sinto um fantoche, sinto que vivo em um circo, assisto a tudo, calada, sorrindo e aplaudindo as palhaçadas das quais paguei para assistir.
As pessoas reclamam sim e muito,.. políticos? “São todos corruptos,não prestam..”
Por que não participam da política então? Por que votam neles? Por que não apresentam propostas e tentativas de ajudar a crescer e melhorar?
Todos se calam..
As pessoas não são ignorantes, são cegas por opção.
O Brasil cresceu muito nestes últimos 4 anos?
Quais foram as grandes melhoras que o PT trouxe?
E agora eu vejo a sucessora cantando vitória e esbanjando aquele sorriso cínico, abraçando a criancinhas da periferia, fingindo se importar e com suas mega propagandas com “atores” de bela aparência, dizendo que continuara na mesma linha do antigo presidente, não querem andar para trás.., estão elegendo uma pessoa com um passado extremamente sujo, que não tem capacidade nem de dar respostas claras em debates, mudando, sempre que perguntada, os assuntos e desconversando.Quão bom foi a outra presidência?
Se informassem-se o mínimo talvez, saberiam que está deixando a presidência com uma enorme divida, o que aconteceu com o dinheiro? Sumiu? O que será que ela fará? Por quanto tempo sanguessugas assumirão o poder?
Por que não dar chance ao novo?
Dar ao Brasil a chance de mudar, a chance de crescer, de ser melhor.
Mulheres, o Brasil precisa de suas mulheres.
O homem é fraco, facilmente influenciável, a mulher tem pulso firme, é sensitiva, compreensiva, inovadora, capaz de executar várias tarefas ao mesmo tempo..
A mídia nos diz como viver, o que pensar, escutar, com o que sonhar.
Basta!
Vamos deixar de ser cegos e egoístas, não votar por votar.
Não escolher um candidato por ser um coitadinho que um dia foi pobre..
Se querem cuidar dos interesses do país eles devem obter conhecimentos, eles devem estudar e por que não um ensino superior?
Eu quero pessoas capazes cuidando do país, não ignorantes.
Se lixeiros devem ter o ensino médio completo, por que não políticos?
Eles ganham mais que médicos, professores, policiais, engenheiros, cientistas,etc..
Para fazer o que?
Por que um trabalhador deve se contentar com um salário mínimo e eles ganham tanto?
Por que jogadores de futebol ganham tanto?
Irônico este mundo, será preciso ter sorte para ter uma vida tranqüila?
A educação aqui não é valorizada, a saúde é extremamente precária, as ruas estão cada vez mais perigosas.
Melhorou muita coisa?
Pois bem, opiniões são próprias, a futilidade impera, o dinheiro manda e o descaso é evidente.
Pensando assim, como o Brasil vai pra frente?.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

são apenas palavras..

As palavras despertam expectativas, ferem, alegram, nos fazem rir e chorar..

A falta delas também.
Porém me cobram palavras, querem simplesmente que eu traduza nelas tudo que eu sinto, não faço isso, não por não querer, mas por não existirem palavras que traduzam o que eu sinto.
Nenhuma consegue decifrar o imenso aperto no meu peito, nenhuma traduz aquele nó amargo na garganta, não consigo expressar qual a força orgulhosa me impede de falar tudo que vem a mente e agir como queria, mas me contenho, faço ironicamente sempre o contrário, ajo como se nada estivesse acontecendo e talvez essa indiferença seja apenas uma proteção e não uma tentativa de ignorar o que se passa a minha volta.
Talvez meras palavras não sejam o bastante para provar.
As palavras são fáceis, sedutoras e mentirosas.
Me recuso a deixá-las tomar conta, mas o que fazer quando a garganta não consegue mais silenciar?
Os dias são compridos, quando se pensa na falta que alguém faz.
Os segundos são eternos, quando conto as horas, quando penso na distância.
Será que tudo isso vale a pena? Será que vamos conseguir?
Eu realmente queria poder decidir isso, eu queria muito mandar no tempo..
Mas não posso, não sei como vai ser o amanhã, não sei o quanto vai mudar.
Mas cada segundo vale a pena, cada hora, cada dia.
E os dias podem ser torturantes, mas o fim sempre chega e com isso diminui um pouco o tempo, diminui esta distância em alguns centímetros, talvez segundos, que seja..
As cicatrizes costumam deixar um vazio receoso, muitas vezes mudam as pessoas e alguns deixam de acreditar.
Não acreditei em nada, por um bom tempo, mas o improvável aconteceu, e mais uma vez as coisas mudaram.
Nada de um milhão de sonhos e mais um de planos, nada de provas, nem de muitas palavras.
Meus olhos diriam tudo que precisa saber, se pudesse entender.
Eu realmente não sei o que é isso, não tem nome, não tem tamanho, não tem cor, mas só nós podemos sentir.
Talvez se entendesse o silêncio saberia, quando me pediu pra ficar, virei pro lado e te abracei e com imenso esforço segurei as lágrimas, talvez saberia quando me perguntou naquela noite a beira da praia, que o meu silêncio dizia um sim angustiado, por saber que não estaria por perto por um bom tempo e a idéia de perder tudo era assustadora.
O que aconteceu afinal?
Sabemos, sim nós sabemos, mas não me pergunte, as palavras são inúteis neste caso.
Talvez entenda um pouco, não preciso dizer muito, o tempo nem sempre ganha..

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

To be..

O idioma inglês usa apenas um verbo para dar significado e ações a ser, estar, ficar, haver, existir..

Uma palavra pequena, minúscula, exprimi milhões de significados.
Defini, muitas vezes, alguém.
Talvez seja esta a verdadeira maneira de tratar um ser.
Apreciá-lo em seu conjunto e não por etapas.

Pois não sou apenas meus olhos, meus pensamentos, ou meu coração..
Não sou meu cabelo, os calos da minha mão, ou meu passado.
Não devo ser analisada e julgada por certas atitudes.
Não sou minha cor, uma religião, um desejo, uma opção.
Não sou rotulavel, nem presa a algo ou alguém.

Eu sou o vento que soprei, as músicas que senti, os sentimentos que despertei..
Sou minhas doces pegadas marcadas na areia e as que virão a seguir..
Sou as lembranças e as idealizações.
Sou o que toco, sou o que ouço, sou o que leio,sonho, cheiro, sinto, vivo.
Sou uma velha fotografia perdida, um armário bagunçado, sou a criança que brincou de pega-pega e caiu nas pedras.
Sou as palavras, sou a escrita, sou a caneta e o papel.
Sou minhas cicatrizes, meu sabores, meus amigos, minha família, meus cachorros, meus amores.
Sou o olhar perdido, os devaneios, as teimosias, os defeitos.
Sou a errada, a certa, a estranha, a normal.
Um pôr do sol, uma lua cheia, um temporal.
A visita, a amiga, o ombro, o tapa, a dor na conciência.
Sou o indecifrável, sou afável , calada e deslumbrada.

Eu fui, sou, serei.
Eu existo pelo que sou, eu sou quando estou, eu fico quando sou, há alguém em mim quando sou, eu sou o que sou.

Mas o que sou não é matéria, não está na carne, não pode ser visto.
Esta tudo guardado, bem protegido, em um lugar chamado “alma”.
Não é possível conhecê-la inteira, porém algumas partes, quem apagar tudo que vem a mente neste instante, poderá ouvi-la cantando, dançando, poderá sentir suas cores.

domingo, 29 de agosto de 2010

Vamos lá..

Vamos lá, conte-me uma história de ninar
Vamos lá, tente me fazer sonhar.

Acenda o velho abajur, aponte pra parede e desenhe suas imaginações utópicas de possíveis amanhãs.
Explique a esta velha criança cansada, pra que servem os sentimentos?
Traga-me um copo, misture devaneios e futilidades, aqueça um pouco com seu sopro de possíveis verdades.
Diga pra sua mãe e seu pai, o quanto sente por suas vidas deprimentes.
Deixe a paciência lá, enquanto começa a regular o termômetro de inquietações.
Estou com febre, as dores nostálgicas ameaçam minhas costas, meu cérebro entra em briga com a mente.

Vamos lá, conte-me uma história de ninar
Vamos lá, me faça acreditar.

Que tudo que diz é verdade.
Que sua verdade reina em algum canto.
Me mostre como é possível estás luzes serem reais, me mostre como se encontra a paz.
Prove que estive errada o tempo todo.
Diga que o que vivi foi só um jogo.
Então me faça encontrar a verdadeira beleza escondida, uma segunda realidade.
Rasgue por favor os contos de fadas, ponha fogo nos finais felizes.
De que servem?
Se me diz que não existem..
Sonhei que podia voar, mas logo cai.

Então vamos lá, me conte uma história de ninar.
Vamos lá, faça-me delirar.

Esquecer tudo que vi, tudo que ouvi e vivi.
Nascer pateticamente de outra forma, menos desesperadora e mais sorridente.
Nascer cantando e poliglota misteriosamente.
Nascer em algum lugar do espaço, enquanto uma perdida estrela cadente tenta encontrar seu rumo.
E morrer perto do nada, onde eu possa fugir de lágrimas.

Vamos lá, conte-me uma história de ninar.
Pois essa é meio difícil acreditar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

" Tem gente enganando a gente"



Literalmente e infelizmente o Brasil é muvuca!
Eu amo meu país, me orgulho de ter nascido aqui, pois tem muitos outros lugares em estados muito mais decadentes, mas o povo não é ignorante, mas algumas pessoas “dotadas de poderes” , insistem em brincar de faz de conta com as pessoas, insistem em tratar-nos como crianças ingênuas e manipuláveis, dão um punhadinho de centavos e o povo sorri e agradece.
O povo infelizmente também tem sua culpa no cartório, pois eu não vejo garra, eu não vejo imposição, protestos, pressão, eu não escuto a voz do povo..
E infelizmente, quando calamos e aceitamos conformados a derrota, o drama todo só tende a piorar.
São coisas estúpidas, são coisas ridículas.
Deve-se eleger um candidato e deixar o país em suas mãos?
Nas mãos do governo?
Pra nos fazerem de escravos, roubando descaradamente nosso dinheiro, enquanto nós não fazemos nada pra mudar?
Uma coisa eu aprendi nisto tudo, ser honesto aqui é PREJUIZO!
Honestos são roubados de todos, são enganados, são silenciados, não tem poder de decisão, de opção, não tem nenhum poder.
As pessoas pra eles são números, dinheiro, papéis, casas e viagens.
E somos culpados por tudo isso!
Em um país onde o bandido ganha mais que o homem pobre que se mata trabalhando por um salário mínimo.
Onde a família do preso recebe dinheiro, onde políticos fazem viagens e compras com o dinheiro sonegado, onde pessoas contribuem a vida inteira para o INSS e quando vão reivindicar seus direitos a burocracia e desorganização é tanta, que passam muito tempo a espera de algo que é seu por direito.
Onde hospitais não tem leitos para atender a doentes, muitos acabando por morrer.
Onde se gasta mais dinheiro com carnaval e futebol, do que com a educação, saúde e segurança.
Qual serão os próximos discursos políticos?
“-Votem em mim, criarei mais danceterias, puteiros, haverá carnaval todo mês e escolas de futebol, onde não precisa saber ler e escrever, vou enfatizar a mídia e quem sabe distribuir umas cestas básicas..”
E é capaz de ser aplaudido e ganhar a eleição..
Do jeito que a coisa anda.
Nada disso vai mudar, vai piorar, até que o povo se una e pense um pouco no futuro do país, não só em diversão, só em suas vidas, as pessoas andam tão egoístas, tão individualistas, tão acomodadas, se raciocinassem e defendessem seus ideais, talvez alguma coisa começasse a mudar..

alguma coisa.

Se der o tapa, não esconda a mão!

Se for pensar em criticar, ao menos procure antes conhecer.
Não dispense, antes de conceder a oportunidade.
Não engane, se não quer ser enganado.
Não minta pros outros, estará primeiramente mentindo pra si.
Não aja como se tudo soubesse, porém não viva na ignorância.
Busque sempre conhecimentos, aprendizados, novas experiências.
Superar, mudar, reinventar, apimentar a vida, buscar um certo sentido, mesmo que não exista sentido algum, dar um tom de uma história inédita escrita a cada segundo.
Cante, dance, pule, sonhe, ria, chore, grite, ame..
Não se julgue melhor que ninguém, desça do salto, quanto mais alto, mais doida é a queda.
Deixe um espaço vago para que pessoas possam aproximar-se, sem sustos, sem indiferenças.
Não ignore o caos vivido pelo mundo, tente fazer com que outros olhos enxerguem que o fim ainda não chegou e com isso ainda há esperança.
Não desista das pessoas, ainda há gente no mundo, escondidas , devemos reconhecê-las.
Não deixe de sonhar, não deixe de acreditar, não esqueça nunca das pessoas que estiveram sempre ao seu lado.
Não mude seus princípios, aceite os alheios, mude o conceito, mude a forma de agir, mas nunca a essência.
Não deixe que outros influenciem em suas decisões, segue o coração, as vezes a razão.
As vontades devem ter vida própria, quando não prejudicarem a outros.
Estar sempre em paz com seu “eu” é fundamental, uma guerra interna é catastrófica.
Não tenha medo de não saber o que quer da vida, contanto que esteja em seus planos e ações vive-la plenamente.
Acredite no que quiser, não deixe que seus sentidos sejam um limite, pois a mente é infinita.
O respeito é a base e fundamental em qualquer convívio, então respeite a todos, e tenha paciência com quem não tem a devida sabedoria pra entender algo tão simples.
O mundo é grande, tem sempre o que fazer, então o tédio só é vivido pelos preguiçosos.
A vida só tem sentido, quando não faz sentido, então não pense que sabe de algo, eu também não sei, afinal, ninguém sabe de nada.
Conjugue tantos verbos quiser, porém os bons escolhem as palavras mais raras e extintas para fazer notória diferença..

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Literalmente uma caixa de lembranças.


Não consigo me lembrar de tudo que aconteceu, nem todos os rostos que vi posso projetar, todas as palavras, todos os sentimentos, as sensações, as surpresas, nem todo dia, nem noites, nem lugares, nem cheiros e sabores, pertenceram a mim em algum momento deixado em alguma página do passado, mas escaparam de minhas mãos no segundo em que passou.

 A nostalgia surge de repente, ao perceber que a mente apagou boa parte de seu tesouro de acontecimentos e vivências, que o tempo levou amigos e amores ao esquecimento e fez com que coisas que eram tão fantásticas ao serem vistas a primeira vez, perdessem o encanto.
 A minha infância tão mágica, os descobrimentos, os primeiros amigos, todos os segredos, tudo que era tão importante, simplesmente desapareceu.
 Eu tenho protestado!
 Não admito perder tesouros, não dei permissão para que meu passado fosse apagado, é todo meu e preciso dele.
 A guerra com a senhora memória parecia realmente perdida, ela só ganhava, a cada dia uma lembrança caia no esquecimento..
 Foi então que surgiu a idéia, pegar uma caixa e guardar alguma coisa especial de cada pessoa ou acontecimento especial, que trouxesse a mente nitidamente aquele momento, as sensações..
 Cartas, convites, pedras, fotos, um papel de bala, um ingresso, um bilhete, uma flor, um pedaço de árvore, uma pulseira, uma garrafa, não importa, qualquer coisa simbólica que me lembre aquilo que eu não quero esquecer, que me traga de volta.

  Uma pequena caixinha de tesouros diferentes, mas com muito valor pra mim!



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

enjoy


                                            "I don't want what you want
                                             I don't feel what you feel
                                             See I'm stuck in a city
                                             But I belong in a field.."

                                                The Strokes-Heart In A Cage
      

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ser criança..


Quando se é criança é tudo mais simples, mais mágico, mais puro.

Quando se é criança a sinceridade e as vontades tem vida própria, os sentimentos são demonstrados a medida que aparecem e não existem preconceitos, nem preferências.
Quando se é criança o mundo é colorido e todos são super-heróis..
Tudo é novo e a sede de aprender é constante.
Não há maldade, pudor, vergonha, nem privações.
Não há inveja, o dinheiro é apenas papel, não há preocupações.
A vida não vira rotina e não se tem problema em fazer amizades.
Criança não tem depressão, criança não odeia, criança não mata.
Mas os adultos criam as crianças, eles destroem seus sonhos, pois um dia outros adultos destruíram os deles.
Eles mostram uma vida de medos e cobranças, uma vida de normas e obrigações, uma vida de estresses..
Eles ensinam a esconder os sentimentos, a não acreditar nas pessoas para não se ferir, eles ensinam o pré-conceito.
Contam histórias de guerras, os fazem assistir desenhos de briga e competição, os ensinam a chorar e a querer toda a futilidade e o quanto o dinheiro importará em seu futuro.
Ensinam a não acreditar no amor, mostrar que seus mundos encantados são mera imaginação, transborda insegurança e desconfiança.
As crianças viram jovens, que em plena faze de mudanças e inundações de duvidas, enchem-se de problemas e já não sabem mais o que fazer, o que esperar da vida.
As antigas crianças começam a perder as esperanças.
Em meio a faze adolescente regida por rebeldia e mudança, são obrigados a escolher o que farão de seus futuros.
A mente transborda, entra em pânico..
De um lado os pais, do outro os amigos, a mídia, as vontades, a pressão, o status e o tempo não parece nada acolhedor.
Eles precisam respirar, precisam de uma ajuda, mas ninguém parece se importar.
Muitos escolhem futuros que prometam uma bela condição financeira, pois foi isso que os “adultos” ensinaram a valorizar e visar, deixando de lado e ignorando por completo seus dons, suas vontades e seus sonhos.
Muitos perdem suas características únicas e se juntam ao resto, para camuflar-se no meio da multidão e simplesmente deixar que suas vidas sejam guiadas por elas.
Aprendem a não respeitar a si mesmo, nem aos outros.
Aprendem a julgar pessoas e ridicularizar quem não é igual aos outros.
Aprendem a não aceitar outras formas de vida, outras opiniões, senão as próprias, porém nem mesmo eles tem opinião, concordam com tudo que ouvem daquelas pessoas que agora são seus novos “heróis”..
Tornam-se adultos frustrados, alienados, depressivos, desanimados, adultos sem esperança e sem vontade de realmente viver.
Estes adultos geram novas crianças e com todo prazer descontam suas frustrações neles, destruindo a vida destas crianças como um dia fizeram com as suas.
Basta!
Nessa busca incessante de si mesmo, acabam todos por se perder, deixando aquilo que eram no passado e encontrando um simples desconhecido.
Não seria melhor inverter os papéis?
Que tal virar criança novamente?
Parece mais sadio, parece mais humano e mais digno de vida.
Então deixemos que elas nos eduquem e nos tragam de volta aquilo que era essencial e se perdeu por um caminho ilusório.
Voltemos a inocência, voltemos a viver.

sábado, 7 de agosto de 2010

Postou-se no vazio, para ouvir a respiração.



Se juntou perdida, a manada de sonhos que corriam para dentro do espelho.
La dentro ensurdeceu e de repente começou a cantar, desafinada e feliz.
Não conhecia a música, mas brotava de sua mente a cada verso inacabado.

Uma escrivaninha com suas folhas brancas e tinta fresca, pareceu convidativa.
Canhota pela primeira vez, jorraram letras e o papel logo estava encharcado, tentou consertar e a folha sugou-a inteira.
Como escrevia de um amor que nunca conheceu, lá foi parar, em um par de olhos apaixonados, deu-lhe um abraço e mandou esperar.

Saiu andando confiante, por uma estrada que não tinha nome, apenas uma velha placa dizia “siga!”.
No meio caminho uma cachoeira, mergulhou os pés na fina água e logo arrepiou-se inteira.
Tinha uma pedra, meio vermelha, flutuando ao acaso, pegou então, chamou talismã, enfiou no bolso e saiu faceira.

Voltou pra estrada, mas tudo parecia igual.
Estava definitivamente andando em círculos.
O sangue esquentou, quebrou a placa, mandou o rapaz parar de sonhar, rasgou a folha, silenciou, voltou então a escutar..

Quebrou o espelho, desorientou os sonhos, voltou-se então para o tudo.
Não ouvia mais respiração alguma, nem mesmo o coração parecia bater.
Pegou do bolso o amuleto, agora era verde e um pouco maior.

Olhou pro céu alaranjado, e pras árvores azuis, as pessoas amarelas e o mar violeta, estava tudo em ordem, a paz ainda reinava em um lugar distante daqui.

descobri..


.. assim por acaso o segredo para uma vida longa e cheia de surpresas..

Não são fórmulas complicadas, nem uma dieta balanceada, nem muitos exercícios, nem plásticas, nem dinheiro..
É simples, é ridículo de tão simples, basta adicionar “virgulas” a sua vida..
Não é difícil, mas porém nem todos sabem realmente em que consiste este processo.
Enganam-se aqueles que pensam que uma vida rotineira tem vírgulas..
Uma vida rotineira já tem seu ponto final e tende a esperar tediosamente o dia de seu fim, que por sinal, será em um dia rotineiro, sem nenhuma emoção.
Ao lembrar de pessoas tediosamente rotineiras, as pessoas não terão muitas lembranças, pois parecerão todas iguais e estas pessoas, ainda que deixem saudades, não deixarão emoções delirantes a se lembrar.
Porém pode-se fazer uma vida diariamente diferente com o uso de vírgulas, mas há um pequeno detalhe, elas só poderão ser usadas para coisas que nunca aconteceram antes na respectiva vida..
Então é uma oportunidade de reinventar-se e descobrir um pouco de si mesma a cada dia.
Não olhar as coisas com a maneira que fomos ensinados a olhar e sim com nossos próprios olhos.
Não amar do jeito que todos amam e sim como o seu eu achar certo.
Não desistir de coisas, nem deixar que opiniões alheias impeçam de saltar, de voar, de mudar totalmente a vida.
Pois dizem que trabalhamos pra viver, mas infelizmente tendemos a viver só pra trabalhar, só pra consumir, tendemos a viver por obrigação.
E este deveria ser o oitavo pecado, pois 98% do mundo vive por obrigação.
E as pessoas estão conformadas e acomodadas demais pra ousar por algumas vírgulas em suas vidas.
Levamos uma vida de excessos, mas excessos de coisas desnecessárias..
O excesso que a vida precisa não temos, temos o excesso que o dinheiro precisa.
Ser lembrada pelas loucuras que fez, pelas vezes que fez alguém sorrir, por não se deixar levar pela multidão, por sair dançando pelas ruas e abraçando estranhos, seria mais interessante..
Pode-se as vezes acrescentar algumas interrogações também, pois com elas sua mente será forçada a achar respostas e quando não encontrar ira a procura e com isso vai descobrir não o que queria, mas o que nem imaginava descobrir.
Aprender coisas novas, conhecer pessoas, apagar tudo e começar de novo, ser mais criança, sair de dentro de si, para ver claramente como é ser você..
Não é difícil, basta um pouco de coragem, com vontade e criatividade e as virgulas automaticamente se colocarão em cada capitulo da história.
Nascemos em um mundo já formado, mas não existe nenhuma lei que proíba criar um mundo novo particular.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,



Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites

Relembro, velando em modorra incomoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito da vida.
Relembro, e uma angustia
Espalha-se por mim todo, como um frio do corpo ou um medo.

O irreparável do meu passado – esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam pode ser que existam algures,

Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei..

O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido –
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso – e foi afinal o melhor de mim- é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda ao invés de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro

Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei, nem pensei em virar e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer, nesse momento surgem-me todas,

Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,

Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?


Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos.

Nesta noite em que não durmo e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível para mim.

                                                                           11/05/1928

                            Álvaro de Campos – Fernando Pessoa.

Lugares,,

As vezes eu tenho uma nítida sensação de que certos lugares me reclusão.

A minha chegada é recebida com um tempo fechado, nuvens grossas, vento forte, água gelada e nervosa caindo do céu.
Inúmeras coisas insistem em acontecer justamente quando chego naquele local, coisas que não deveriam estar acontecendo.
No inicio eu penso que não deveria estar ali, que foi tudo um grande erro, melhor juntar minhas coisas e simplesmente partir, voltar pro lugar de onde vim e deixar tudo se ajeitar.
Mas de repente parece muito óbvio pra se acreditar.
Os lugares tem suas maneiras de dar boas vindas e mostrar que não são fáceis, que se realmente está disposta a compreende-lo nenhum tempo ruim, nenhum temporal, nenhuma adversidade vai te impedir de explorar.
Se conseguir sobreviver a tempestade, talvez ele se sinta seguro a mostrar a beleza de seu sol, de seu céu azul e de sua noite estrelada.
Eu insisto em ver tudo com meus olhos, com a minha percepção, mas cada um enxerga a mesma coisa de maneiras diferentes.
E ai está a beleza.
Hoje não abriu sol, mas gostei daquele vento, gostei do dia surpresa, do qual não se sabe se vai chover.
Gostei do friozinho levemente congelante.
Sem falar que esse tempo descongestiona a rua, tira aquela aglomeração de pessoas e permite um novo olhar a cada detalhe da paisagem.
Permite uma conversa mental um tanto pretenciosa com o espaço a sua volta.
Quem sabe as histórias que uma árvore tem a contar?!
E um cachorro andarilho, alegre e convidativo.
A areia fofa e o mar agitado..
Quem consegue decifrar cada olhar, cada gesto, cada abraço, cada respiração?!
Este lugar que a pouco me recebia como uma visita indesejada, vou leva-lo comigo, cada canto, cada sensação, vai deixando a saudade e uma próspera estação.

sábado, 24 de julho de 2010

Músicas..

Eu praticamente nasci ouvindo musica.

Não desenvolvi nenhum tipo de dom pra ela, como tocar um instrumento, ou cantar, bem que eu tentei, mas logo me conformei.
Mas hoje em dia eu sei, nasci simplesmente pra escutar, pra degustar poesias e melodias, cada uma própria pra um momento, cada uma embalando um instante, um temperamento.
O que é uma música pra mim?
O casamento de letra e melodia.
Música não é simplesmente pegar um monte de palavras, sacudir, jogar no papel, por uma melodia pronta e sair cantando com suas roupas esquisitas e um “ei ei” pra embalar.
É muito mais que isso, não é um produto pra vender, não é moda, não é estilo, é emoção.
Eu me conformei, eu sei que não tenho talento pro ramo musical, mas tem muita gente que não percebeu que também não tem..
Eu não tenho preconceito algum com nenhum estilo musical, contanto que eles sejam realmente músicos, que eles saibam passar uma mensagem e fazer da letra e melodia algum sentido, conseguirem passar algum sentimento pra quem escuta.
E por isso que eu gosto tanto das músicas antigas, tem personalidade, são mais originais, tem conteúdo, tem essência.
As musicas de hoje são apelativas, qualquer um acha que pode ser cantor e o que me deixa mais irritada nisso tudo é que pessoas que realmente tem talento não são reconhecidas por serem independentes, por não se permitirem ser fantoches de produtoras e patrocinadores, por não serem logotipos ambulantes.
Com isso aqueles seres sem criatividade, sem talento, vestem umas roupinhas da moda, bagunçam o cabelo, cantam um monte de porcaria, com um fundo eletrônico, muitos ainda ousam dizer que são uma “banda de rock”.
Eu não sei se é pra rir da palhaçada que estão fazendo com a música, ou pra chorar da eterna decadência.
Em um barzinho da cidade estão músicos muito mais talentosos e originais que estas bandas, mas permanecem no anonimato.
Será que a musica hoje significa somente dinheiro?
Por que no rádio toca sempre a mesma coisa?
Tem que ser bonitinho e estar na moda pra fazer sucesso?
Deve-se fazer musicas sem nexo, iguais e apelativas pra ser uma “estrela”?
Todo estilo musical é bom, contanto que seja original e tenha realmente um conteúdo e não um monte de lixo.
Infelizmente o dinheiro manda e só quem obedece permanece.

sábado, 10 de julho de 2010

Um faz de conta

Tem uma coisa que me deixa inquieta, uma coisa que de certa forma me incomoda.


Por que as pessoas nunca dizem e fazem aquilo que elas realmente querem?
Por que elas dão tantas voltas para acabar no mesmo lugar?
Por que elas insistem em fingir que tem vidas perfeitas, e não aceitam suas vidas da maneira que elas são e principalmente por que não mostram como são aos outros, será que tem vergonha de serem humanos e querem ser “semi-deuses” ?
O humano é tão vaidoso e tão ilusoriamente perfeito, que o “Deus” deles é a imagem e semelhança do homem, será que é por isso que eles querem tanto ser perfeitos e incapazes de errar?
Talvez a causa de tantos problemas sociais, dessas drogas devastadoras e de todo esse caos, seja simples.
Na verdade é tudo muito simples e claro, assim como a vida e a morte, assim como os sentimentos e as vontades.
Somos nós o problema, nós complicamos e insistimos em das proporções maiores a tudo.
Se as pessoas não vivessem de aparências e sim da realidade, se botassem pra fora tudo que as incomoda, os problemas, se fossem mais verdadeiras consigo mesmas e buscassem ajuda, ao invés de orgulhosamente continuar a se torturar e achar que pode esconder tudo, talvez os problemas pudessem ser tratados e solucionados em suas origens.
Isso evitaria que aumentassem e por conseqüência que destruíssem com vidas e sonhos.
Quando o crack surgiu, já existiam drogas, ele com o tempo foi-se alastrando, pois somado aos problemas de milhões de pessoas frustradas, que buscavam uma saída rápida para solucionar o problema, ele pareceu tentador. A sociedade já sabia dele, mas ao invés de tratar quando tinha proporção pequena, ao invés de usar todos os recursos cabíveis para não deixar que se alastra-se, camuflaram, deixaram ali, crescendo, tomando conta e destruindo a tudo.Ele sim fez a lição de casa e o seu dever, acabou com tudo que passou pela frente, e ai, quando já não era possível esconder e ignorar o problema, surgiu o desespero.
Por que ele não causou estragos somente aos usuários.
Causou estrago a estética do pais, a segurança, a saúde, trouxe medo, trouxe mortes, mostrou que a sociedade falhou.
Mostrou que não adianta ignorar os problemas e fingir que eles não existem.
Quando os queridos seres humanos finalmente perceberem que não são “semi-deuses”, não podem deixar as coisas pra lá, devem arcar com suas ações, que erram sim, que isso é normal, ninguém é perfeito, nenhuma vida é perfeita, quando se aceitarem finalmente, talvez as coisas comecem a mudar.
Não adianta por a culpa em ninguém.
Na mãe, no pai, na família, nos amigos, na sociedade, nos políticos, no mundo.
Somos responsáveis pelo rumo de nossas vidas.
Quem cala consente , quem não faz nada, ajuda a estragar.
Quem não busca a mudança, quem não busca ajuda, quem permanece na ignorância, morre sozinho e deprimido e o pior de tudo isso, não leva nada da vida, nem mesmo “vida”.
Estão todos muito cansados de viver.
Cansados de ousar, cansados demais para passar uma borracha em tudo e começar de novo, do jeito que sempre sonharam.
É triste ver pessoas com medo de lutar por suas vidas, por seus ideais, ver pessoas que não acreditam em si mesmas.
É irônico, como muitos desejam a morte, mas quando realmente chegam perto dela, clamam pela vida, só no fim dão valor e querem o tempo de volta, pra fazer tudo diferente.
A mas o tempo não é tolo, como eles.
Não vai perdoar, não vai dar uma segunda chance.
Danem-se! Tiveram a vida inteira, pra só no fim acordar pra viver.
Aparências são meras ilusões, as essências morrem pelas mãos de seus donos sem compaixão.
Em um mundo de faz de conta, quem acusa isso tudo é hipócrita, hipócritas são eles, que não se deixam viver, que não se deixam pensar por si só.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Devaneios

Esqueceu o que realmente queria dizer..

Ou não teve a coragem necessária pra tanto.
Passou algumas horas formulando, mas as palavras simplesmente sumiram de repente.
Ela já não entendia nada dos sentimentos, nem de como lidar com eles.
Seu mundo era um tanto imaginário e fantasioso, nem de longe parecido com o mundo real.
Mas alguma coisa, tinha mudado, disso ela tinha certeza.
Talvez estivesse a beira da loucura, talvez estivesse acreditando em coisas que não existem.
Mas não estava nem um pouco preocupada no preço que seria cobrado por suas ilusões.
Sonhava dormindo, mais ainda acordada, tentava adivinhar o que os animais falavam, o que iria acontecer e qual seria o dia em que alguém andaria ao seu lado de mãos dadas.
Mas era tudo suposição e a maioria não se realizava.
Os outros não entendiam como ela ainda não tinha entrado em depressão, não entendiam como seu sorriso ainda estava ali.
No mundo deles era loucura, no mundo dela era otimismo.
Sua alma ganhava uma nova cor a cada dia.
Ela aprendia com as coisas mais tolas.
Ela cantava alto, ria sozinha, vivia em um mundo distante, estava sempre perdida.
Ela sentia sim.. que tudo talvez pudesse ser diferente, sentia que o impossível pode existir, sentia que não deveria desistir de pessoas importantes, sentia-se na obrigação de arriscar.
Então ela fez, apostou tudo que tinha, cruzou os dedos e esperou de olhos fechados..
Quando abriu, seu mundo já não era só seu, agora tinha outros imigrantes, havia companhia.

Mais um dia.

Parou instintivamente o que fazia, deu uma boa olhada na mesa a sua frente. Transbordada de processos, intimações, carimbos, letras e números embaralhados, envelopes lacrados, documentos a distribuir, lugares aonde ir, telefone tocando, motoboy chegando..

Agora ela não fazia a mínima idéia da razão pela qual uma simples cara feia de um superior despertava constantemente tanto medo, não sabia por que queria diariamente arrancar os cabelos, ou simplesmente sumir em alguns instantes, ficava extremamente estressada e levava seus dias exaustos e pesados para casa, onde de mau-humor se trancava em seu quarto e apenas apagava.
No dia seguinte, dormia mais que o alerta do despertador, no caminho para a escola inventava uma boa desculpa para mais um dia de atraso, não queria saber de matemática, muito menos de física, queria contar para sua melhor amiga os absurdos de seu dia de trabalho, o quanto estava cheia de tudo e as constantes fantasias de um dia fugir de tudo isso..
A aula acabava, lá estava ela pelas ruas aflita, correndo pra chegar a tempo em casa de ao menos se trocar, quem sabe almoçar se sobrar uns minutinhos, se sua mãe estiver dormindo, terá que caminhar umas tantas quadras e pegar o ônibus que sempre acaba por atrasá-la, chegando então, mais uma cara feia do patrão, mas como podia questionar ?
Quando ela reclamava escutava sempre as mesmas coisas, porém as vezes um pouco mais formulada, “ Essa é a vida, tem que se acostumar, eu passo por isso todo dia, e blábláblá..”
Neste instante em que parou, ela olhou pra tudo aquilo, pensou no quanto estava se desgastando e nas coisas que botava em cheque nesta rotina. Por que ficar tão tensa e deixar que um mero problema atinja sua tranqüilidade, por que não ver o que de bom vai levar de tudo isso? As pessoas tem seus dias em que tudo parece terrivelmente errado, em que não estão dispostas a receber ninguém com um sorriso e não é por isso que você vai enlouquecer e achar que seu dia também foi por água a baixo.
É hoje eu posso dizer que tive um dia bem difícil sim, mas enquanto descia aquelas longas escadas ligando desesperada pra minha mãe me buscar, pois não tinha almoçado direito e aquela correria simplesmente acabou comigo, ela não atendia, eu parei um segundo, já tava meio tonta com tanto estresse, daí olhei o céu, é o meu termômetro do humor, se estivesse fechado, com nuvens carregadas e sem nenhuma estrela, eu teria certeza que não era um bom dia, mas quando olhei parecia um verdadeiro quadro, tive vontade de emoldurar e levar para casa.. A fusão do entardecer com a noite, de um lado duas estrelas perdidas, e do outro um alaranjado, com algumas nuvens pequenas, em formato de algodões.
Não me contive, o sorriso tem vida própria, escolhe quando quer aparecer, ele sabe o que merece sua ilustre presença, e aquele instante merecia um belo sorriso.
De repente ficou tudo mais leve, a palmeira balançava as folhas, os carros congestionavam as ruas, a fila do ônibus já estava grande, mas tudo aquilo pareceu não importar.Ela sabe que vai sentir saudades, de cada pessoa que conheceu, das piadas diárias, da correria, das confusões, das festinhas sempre desorganizadas, de pegarem constantemente em seu pé, dos passeios pelos corredores, de suas voltas solitárias observando o céu, do tumulto do ônibus, das suas tardes sempre muito ocupadas e corridas. Vai sentir falta de cada pessoa, por mais que mal falasse com ela, porém algumas são relativamente mais importantes, pois estavam sempre ali do lado, rindo, chorando, brincando, ajudando..
Que ironia essa vida.
Mas sua mente precisa de uma folga, precisa de um equilíbrio, de um descanso da correria.
É seu ultimo ano na escola e ela não quer ter a lembrança dos momentos em que não esteve presente. Ela quer lembrar de cada segundo e se ver nitidamente presente em todos.
Quer guardar estes três longos anos corridos em uma caixa de recordações e poder abrir quando a saudade aparecer, relembrar cada aula, cada rosto, cada palhaçada.
Pois isso ela não vai ter de volta.
A gente fala muito mesmo, mas geralmente da boca pra fora.
Eu quero cada segundo de tudo, não quero me despedir de nada, odeio despedidas. São sempre dramáticas e sentimentais, tão melancólicas. Pois bem, é fatal, o tempo definitivamente tem passado muito rápido e eu estou enrolando demais, isso é tudo, e vai ser sempre meu, já faz parte de mim.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Até quando?

Eu sempre, desde muito pequena, fui a favor dos animais, eu aprendi muito cedo a respeita-los e ama-los.Pois nós também somos animais e qualquer ser vivo, por mais pequeno
e “inútil” aos homens, tem de ser respeitado.

Todos nós fazemos parte da natureza e eu ainda não entendi, em que momento da existência humana, foi sentenciada a morte a liberdade dos outros animais.
E a cada dia, eu me deparo com egoísmo e crueldade que parecem simplesmente não ter fim.
Não há respeito, os humanos simplesmente decidiram mandar, decidiram que tudo é deles, apossaram-se do resto do mundo.
Julgam-se melhores, julgam-se inteligentes, dizem eles, que um “Deus” criou tudo isso em sete dias, fez-nos a sua semelhança, e deixou que fizéssemos o que bem entendêssemos com tudo.Que os outros seres deveriam ser úteis ao homem.
Mas recapitulando, quem inventou esse Deus? Os homens.
Eles querem um motivo plausível para apossar-se de tudo com ar de superioridade, alegando que esse é o direito natural.Basta!
Quem lhes deu o direito de tirar os animais dos seus habitats naturais e fazer com eles o que bem entender?
Simplesmente acabaram com o equilíbrio, com a paz, com a saúde da natureza.

Cachorros, gatos, passarinhos, ramisters,.., foram condenados a ser “animais de estimação”, os quais ficam presos em suas casas, tratados do modo como julgamos ser o correto, comem a hora que achamos que tem que comer, passeiam quando estamos com tempo de dar uma voltinha com eles, se fazem algo que eles não julgam certo apanham, recebem um carinho de vez em quando e muitos quando se machucam são sacrificados ou simplesmente abandonados.Estes animais também tem sentimentos, aprenderam a amar seus donos, apesar dos maus tratos, e de uma hora pra outra estão nas ruas.

Os animais selvagens, aqueles que são maiores e não tão fáceis de “domesticar”, tem outros destinos, muito piores.Comecemos então pelos circos e zoológicos.
Homens cruéis, invadem seus territórios, matam seus pais, pegam os filhotes indefesos para criar da maneira que bem entender.Desde pequenos são trancafiados em micro jaulas, comem pouco em comparação ao que seu corpo realmente precisa, a maneira encontrada para “doma-los” é a violência, impõe terror ao animal para que pelo medo ele respeite.São exibidos as pessoas como um passatempo, como uma diversão. As pessoas se divertem vendo elefantes, tigres, leões, macacos, girafas, cavalos, gorilas,.., se comportando que nem gente, fazendo acrobacias, obedecendo comandos.Mas será que os telespectadores disso tudo, não pararam pra pensar em um momento, se aqueles animais estão felizes com isso? Não é possível. Já se colocaram no lugar daquelas pobres criaturas? Escravizadas, ridicularizadas, perderam suas características, sua liberdade, além de problemas físicos, adquirem também problemas psicológicos.
Eis ai o porque, muitos destes animais se tornam agressivos.
Mas muito mais ridículo e extremamente desnecessário são os casacos de pele.

Não é possível essa matança cruel, por um casaco de pele.
Não sei se todas as pessoas já viram como se faz um, mas seria bom que vissem, quem sabe assim os poucos sentimentos que ainda restam, trouxessem lucidez.
Espancar cruelmente, tirar as patas, e toda a pele enquanto o animal ainda está vivo, não existe nem uma palavra que defina isso. E tudo isso para? Nada!
Acham divertido ver animais brigando até a morte.

Apostam, treinam, se divertem.E as touradas?Onde eles provocam o touro, um bando de retardados amedrontando um animal, com o propósito de tirar sua vida em publico, para? “Diversão, entretenimento..”

E a vivissecção?

Muita gente não sabe o que é isso.
Mas são os testes em laboratórios que fazem com os animais ainda vivos.
Eles abrem seus corpos e em prol da ciência, os torturam, tentando achar suas tantas respostas.
Deixam o crânio de macacos em exposição, levando choques, para saber um pouco sobre seu comportamento.
Cegam coelhos, para testar cosméticos.
Testam remédios em cachorros, ratos,...
Estes animais sentem dor, eles tem sentimentos, eles tem vida.
Quem disse que a vida do homem é mais importante?
Destroem seus habitats naturais, poluem os oceanos, os mares,o ar, acabam com as florestas e seus alimentos,por isso tantas espécies extintas.

Por isso tanta surpresa ao se deparar em frente a um animal selvagem, eles parecem até mesmo dinossauros hoje em dia.

E é tanta preocupação para as pessoas modernas.
É o trabalho, a escola, a casa, o dinheiro, as férias, a moda, a política, os amores, e isso e aquilo, sempre em primeiro lugar, seus interesses são as únicas coisas que importam, só querem lucrar, só pensam em si, mas não somos os únicos no mundo, não temos direito nenhum sobre a vida de qualquer outro ser vivo se não a própria.
Falta respeito com o mundo, falta respeito com o próximo, a natureza também quer liberdade.









sábado, 8 de maio de 2010

Poucas horas para a meia-noite.


Quem lê pensa ser uma contagem regressiva para o natal, ano novo ou então um aniversário..
Mas não, nada disso, amanhã 9 de maio, mais um dia das mães.
Eu não sei por que, mas adoro dar presentes, eu gosto de observar a expressão que cada rosto forma ao receber, ao se sentir lembrado e querido, já que eu não sou lá a melhor pessoa do mundo pra demonstrar sentimentos por meio de carinhos, gosto que elas saibam que são importantes pra mim, pelo menos espero que notem isso.
E a minha mãe, eu não consigo resumir ela, nem o que eu sinto por ela.
Por que é uma mulher enoooooorme em apenas um metro e uns sessenta e tantos centímetros.
Talvez, lá no intimo da minha alma eu saiba o por que das tantas brigas..
Nós somos muito parecidas, não só fisicamente, o que muitos não cansam de afirmar, mas duas mulheres extremamente geniosas, que herdaram o sobrenome “azevedo” a tiracolo, que já é mais uma fama para o currículo, pra quem não sabe, os azevedos têm a fama de briguentos, ciumentos, querem tudo do jeito deles, mas ai de quem fizer algo contra um deles, se amam e defendem até o fim.
Nós somos muito parecidas, mas também muito diferentes.
Nossa, ela me irrita muito, mas eu não consigo imaginar uma vida longe dela.
As vezes eu me sinto muito mal pela minha frieza, muito mal por não conseguir dar um abraço e dizer “mãe eu te amo”.
Mas eu sem dúvida, queimaria todos os meus dedos por ela, eu daria a volta ao mundo se fosse preciso, por que ela abriu mão de muuita coisa, deixou de lado muitas oportunidades e caminhos que fariam o presente diferente, por mim.
E com certeza não existe dupla de mãe e filha como nós.
Por que eu sou um pouco mãe e ela um pouco filha.
A cada dia uma conhece um pouco a outra, as duas brigam sim e muito, mas nunca dura mais que um dia.
O mundo parece que vai desabar, mas a gente sempre consegue dar um jeito de mudar a data da catástrofe.
Eu nunca consegui manter um segredo, ela sempre descobriu tudo.
Ela fala muito mais que eu, ela conversa mais com os meus amigos que eu, ela me leva pras festas, eu faço a comida, ela canta alto, eu mando ela não comprar porcarias.
E sinceramente acho que não levariam fé, que estas duas briguentas conseguiriam se manter e viver sozinhas, tomar conta de uma casa (sem que pegasse fogo), cuidar dos cachorros e não entrar pro SPC.
Pois é, pra ser sincera, acho que nem eu acreditava.
Mas não é que a gente consegue.
Ela tem um milhão de problemas, eu tenho mais um, mas mesmo assim a gente leva essa vida indiferentemente bem.
E quando tudo parece que está terrivelmente ruim e já não tem mais saída, se conseguir agüentar mais uns 2 segundos, vai ver que tudo começa a melhorar.
Por que nenhuma fase, por mais que pareça não ter fim, é pra sempre.
Nem as boas, nem as médias, nem as ruins.
A vida sempre muda eu acho que cada mãe, cada família, cada pessoa, tem na sua vida aquela pessoa que deve ter, aquela pessoa que vai agüentar aquilo que tiver que agüentar e vai estar ali para algum propósito.
Acho que a formação das famílias tem alguma razão.
Mas as pessoas nunca param pra notar isso.
Se fosse outra mãe, se fosse outra filha, talvez não desse certo.
Te amo mãe, desculpa mais uma vez por tudo, obrigada por tudo, feliz dia das mães.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quanto honesto?!


A pergunta parece estranha?
Estranhos são os tantos discursos que elaboramos ao defender com unhas e dentes a honestidade, pondo em cheque a moralidade de pessoas, mas que sem ao menos perceber, são desonrados pelo próprio criador.
Parece mais a lei do “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”.
Equivoco meu? Existe uma área na matemática onde foi elaborada a porcentagem de honestidade? Pode-se ser muito, pouco ou razoavelmente honesto?
Quem lhe disse isso?
Quem “é”, é! Não me venha com “mas”, “porém”, “neste caso”, ...
O resto é sempre culpado, a parte da população que não inclui o pronome “eu”, leva todo crédito de erros, irresponsabilidades, desonestidades, leva a parte que não presta a você, que por sinal é o senhor dono da verdade.
Porque não aceitar o fato de que um pequeno delito, por mais miserável e insignificante que lhe possa parecer, aos olhos da desonestidade são tanto quanto desonestos? Não importa se foi um centavo ou milhões, se foi uma trapaça, se foi uma vingança, ou uma brincadeira..
Você está passando por sérias dificuldades financeiras, vai ao banco e eis que o senhor ao lado vai embora e deixa cair uma nota de cem reais, só você viu, olha em volta, não tem ninguém, a oportunidade perfeita, o senhor já está na porta, com esse dinheiro pode pagar a conta de água e comprar comida pra filha..,
Ai você para e pensa, “ele não vai precisar”,” é por uma boa causa” e milhões de pensamentos como estes inundam sua cabeça, tentando lhe dar motivos plausíveis para apossar-se daquela nota, encorajando-o e justificando aquela “pequena” ação..
Maas calma ai, como ousa ter algum direito e moralidade para julgar o sistema e as pessoas que nele estão no comando, se quando tens oportunidade age desta forma?
A tentação é maior?
Pois bem, eles podem lhe dar a mesma resposta ao sonegar impostos e roubar o dinheiro do cidadão.Por que não?
Se julga-se no direito de apoderar-se de uns tostões que não lhe pertencem..
Que diferença tem o seu delito, a sua desonestidade, da dele?
Apenas o valor, apenas a proporção, mas o que vai sobrar na consciência e em seu julgamento, vai levar o mesmo nome e sobrenome, a mesma sujeira.
Quem somos nós para julgar a atitude do outro, se não formos capazes de controlar as nossas próprias? Se não formos dignamente mais fortes do que qualquer tentação..
A dignidade tem proporção? Sua consciência pode estar “mais o menos” limpa?
O caráter pode ser medido de acordo com penalidades?

Pense, repense e quando estiver certo, responda a si mesmo, existe proporção para honestidade?

terça-feira, 27 de abril de 2010

dia-a-dia

A noite já reinava, seus ventos faziam a pele descoberta arrepiar-se.
Mas não se encontrava perto de casa, tinha ainda uma imensa escadaria a descer, até então chegar a parada, onde esperaria, como de costume, mais um ônibus super-lotado.
A tarde estava quente, por isso suas roupas eram leves, mas a leveza não amenizava este instante trêmulo, estas preocupações com horários e provas, o vento parecia congelar por dentro.
Descia distraída, enquanto lia uma folha de física, explicava por que o céu é azul e por que ao cair o sol, ganhava seus tons avermelhados.
Na folha dizia, que o vermelho e o laranja tornam-se muito mais vividos no crepúsculo, quando há poeira ou fumaça no ar, que estes tons são conseqüências nossas, de poluições e queimadas.
Parei então, um breve instante, contemplei aquele verde, o vento embalando as folhas, as casas acendendo as luzes pouco a pouco e o céu, nele um olhar mais carinhoso, estava dividido, de um lado negro, de outro ainda podia ver os tons alaranjados..
As causas pelas quais aqueles tons estavam ali, não são nada agradáveis e se deixasse de vê-los para que o mundo ficasse mais limpo, com certeza abriria mão daquela paisagem, mas guardei aquele momento só pra mim, em uma parte da memória onde não será apagada, o céu estava tão lindo, posso não ver outro como aquele, e certamente não verei, por mais que pareça, nunca é igual.
E foi pago um certo preço por aquele instante, horas esperando, o ônibus lotado que não chegava..
Na parada pessoas vinham, iam, vinham, iam, e nada
Um homem cego puxou assunto, estava alegre, andava por tudo, esperava ansioso seu ônibus, que por sinal, também veio lotado.
Foi-se ele, foram-se outros, e eu ainda ali..
Finalmente chegou, estou indo pra casa, um dos raros dias, minha mãe me busca na parada, viemos conversando, coisa atípica, um dia sem brigas.
Lembrei então de um pedaço do galho da árvore do colégio.
Mais um pequeno detalhe atípico, de um dia rotineiro.
A árvore pré-histórica do colégio caiu, era tão grande e bela.
Era tão bom se abrigar do sol embaixo dela, não sei por que, mas acho que fui a única pessoa que sentiu falta dela, que sentiu saudade daqueles galhos longos e fortes que davam um ar de natureza em meio aos cimentos.
Eu queria uma lembrança dela, por essa razão peguei um pedaço de galho, coisas minhas, parece meio maluco, é eu sei.
Mas todo mundo tem suas manias meio malucas, por mais que não admita, as borboletas também fazem parte do meu conjunto de maluquices, vejo em todos os cantos, todos os dias e pareço ser a única pessoa que se importa com a presença delas.
A também vi uma libélula hoje, lembrei daquele filme tão lindo, não sei por que essa mania por insetos.
Por falar em filme, assistindo tv ontem, assim por acaso, tava passando umas discussões sobre o filme, sobre a vida de Chico Xavier, eu nunca tinha me interessado muito, mas andei pesquisando um pouco a vida dele e sem dúvida foi e vai ser sempre um grande homem, (preciso muito ver este filme)..
Bom acho que isso é uma tentativa, de tirar um pouco dos pequenos detalhes que fazem de um dia rotineiro único, claro que tem muitos outros detalhes, mas a minha memória anda tão fraca, melhor não abusar muito.
Resumidamente frio, cansativo, mas bonito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O frio está voltando..



A lembrança do inverno passado não parece nítida neste momento, talvez por que ela deva permanecer guardada e esquecida em seu passado.
O ontem já parece tão distante, seus sorrisos e choros também.
Agora é o momento certo de estar sozinha, desta vez não será necessário que me aqueça.
Comprei um bom cobertor, vai servir de proteção, enquanto penso sobre como sobreviver na chegada da estação.
Está na hora, este é o tempo, enquanto o vento sopra a chuva, enquanto a temperatura cai delicadamente, enquanto este último ano de dúvidas passa pelo calendário, me encontro eu aqui, fechada em meu quarto, em meu mundo, viajando em pensamentos e hipóteses, tentando desenhar e montar algo que só posso imaginar, tentando dar um rumo pra uma vida da qual penso ter controle.
Não busco mais respostas e sim saídas.
Uma fuga das tempestades sim, deixe apenas o frio chegar.
Agora não posso, devo dar o melhor de mim, agora não tenho permissão de desistir.
É tão estranho olhar o passado, eu me pergunto como consegui seguir a diante em meio a tantas confusões.
Mas isso tudo agora me parece fácil, aquele desespero parece exagerado.
Conto comigo, um, dois, três, passou..!
Amanhã nova contagem, talvez um pouco maior, mas tem seu fim.
Não é pra sempre, por mais que pareça, tem um fim.
Não é egoísta da minha parte, não sair desesperadamente á procura de um amor.
Existem muitos tipos de amor, estou aprendendo a me amar, tenho também a minha família, amigos e dois caninos incomparáveis.
Devo estar triste por não amar nenhum rapaz?
Porque?
Não vou desperdiçar um sentimento tão puro, pra satisfazer a vontade alheia, não vou mentir, não preciso enganar, não estou aqui pra provar nada a ninguém.
Este é um tempo só meu, um tempo pras minhas coisas, um tempo pra deixar em ordem a minha vida, o meu hoje e o meu amanhã.
As surpresas da vida são sempre melhores, as surpresas da vida ficam pra sempre.
Elas não tem prazo, nem validade, não tem um dia certo de fabricação, elas chegam assim como uma chuva que não avisa, que surpreende os meteorologistas, se transforma em sol, depois em um vento ameno.., e assim vão ficando em nossas vidas, intrusas apaixonantes, eternas surpresas.
O processo de conhecimento pode levar uma vida, uma pessoa nunca deixa de ser interessante, se você realmente ter paciência e dedicação a conhecê-la.
As pessoas são apaixonantes, mas não mostram-se realmente, se protegem, atrás de multidões, atrás de mentiras, atrás de conceitos, atrás de pré-conceitos, atrás do medo.
Medo da opinião, medo da rejeição, medo de não agradar sendo o que realmente é.
Mas como se pode amar alguém e se permitir ser verdadeiramente amada, se não se aceitar primeiramente?
Se não permitir as pessoas realmente conhece-la e não se dedicar a conhece-los?
Infelizmente poucos sabem o que é amar hoje em dia.
Estão sempre “amando” em suas concepções, mas no dia seguinte acabou-se o amor.
É por isso que não quero, neste momento, desperdiçar um segundo, desperdiçar uma palavra, desperdiçar um olhar que seja, se não for de verdade.
Estou fugindo de todo e qualquer tipo de mentira, estou fugindo das comodidades, das falsidades, dos prazeres momentâneos não satisfatórios, estou fugindo do que estão querendo chamar de amor.Pois um dia, um mês, um ano, não basta, não é o suficiente para conhecer, julgar e sentenciar alguém.
Deixe o frio embalar essa e as tantas noites precisas, até que então o calor possa verdadeiramente aquecer.
Deixe a música contar os dias, deixe o céu dar o tom necessário a cada amanhecer.
Deixe o desafio aumentar, apimentar a vida.
Deixe meu olhar lhe contar, em um breve instante, a história de minha vida.

sábado, 17 de abril de 2010

um texto pra mim

Durante um tempo tentei me manter afastada das palavras, das letras, da escrita, por que meus dias andaram meio nublados e eu não queria passar esses sentimentos nada confortáveis pras palavras.Não queria um texto melancólico, me recusava a mais uma vez falar sobre assuntos dos quais não me animam.Mas por que fugir? Por que me esconder e mentir pra mim mesma que isso não é real? Por que tentar passar a imagem do tudo bem e força um sorriso, se na realidade eu não sentia isso?

Fingir não resolve, não ameniza, só deixa maior o que eu guardo por dentro, por que ter vergonha de chorar? Por que os outros não podem ver?
Por que a gente esconde a dor? Por que só transparecemos a alegria?
Isso faz mal!Eu sou normal, eu sou humana, eu erro, eu acerto, eu caio, eu levanto, eu choro, eu sorrio, eu sinto dor e amor, eu sinto raiva e medo, eu canto, eu danço, eu grito, eu brigo, eu minto, eu peço desculpas, eu fico doente, eu tenho problemas, eu tento sempre melhorar, eu gosto de um elogio, eu amo pudim, adoro cachorros, a música me encanta e as palavras também, tenho medo de altura, tenho duas tatuagens e uma enorme preguiça, eu só estudo pras recuperações, tenho uma enorme dificuldade em demonstrar meus sentimentos e principalmente em dizer um “eu te amo” pras pessoas, mesmo que familiares, eu choro lendo, eu guardo meus problemas comigo, eu raramente desabafo com alguém, eu sou extremamente desconfiada, eu não sou carinhosa, eu sou teimosa, orgulhosa, mas não consigo fazer mal a ninguém, eu me preocupo em fazer com que as pessoas em volta de mim se sintam bem, e nesses últimos tempos não tem sido nada fácil meus dias.Eu chorei que nem uma criança, e isso me fez tão bem.Eu recebi conselhos de uma pessoa que mal me conhece e as palavras dela me ajudaram, me confortaram, me deram uma dose de coragem, pra encarar o batalhão de obrigações, de queixas,de responsabilidades, de pessoas que não enxergam outro se não a si.
Eu tenho pensado muito nos outros, andei esquecendo um pouco dessa menina um tanto carente de atenção que mora dentro de mim, aquela que tenho deixado nas ultimas opções, aquela que não tinha prioridade na minha lista, ela ta sendo obrigada a atropelar o tempo e assumir responsabilidades que não cabiam a ela, e as coisas andam meio confusas, meio perdidas, ela se sente desprotegida, eu preciso encontrar o tempo de cuidar dela, eu preciso deixar os outros de lado, eu preciso zelar pelo futuro dela, pela saúde dela, pela saúde emocional dela..
As vezes nem se nota que tem alguém ali ao lado, preocupado com você, alguém disposto a te ajudar, a consolar, eu posso sim dizer que eu tenho poucas pessoas assim, mas essas poucas extremamente verdadeiras, extremamente amigas, as quais a cada dia me provam isso sem eu ao menos perceber.
O dia seguinte foi um tanto curioso, na aula passaram um filme, contava a história de um jovem que foi pra guerra, um jovem apaixonado, sorridente, sonhador, lutava por sua pátria, não por que realmente queria estar lá, mas fora convocado.Um dia estava ajudando a enterrar um defunto, quando os inimigos começaram a atacar, ele correu e se escondeu em um buraco, mas não viu a bomba que se aproximava, caiu praticamente ao seu lado, ele perdeu os braços, as pernas, a audição, a visão, a fala, foi parar em um quarto de hospital desconhecido, trancafiado, sem poder se comunicar com ninguém, dopado diariamente, no escuro, com a cara tapada.Já não sabia se estava vivo ou morto, ninguém além de enfermeiros e médicos sabiam que estava ali. Seus dias resumiam-se a delírios, lembranças e tentativas de decifrar de alguma forma o que se passava no quarto, os movimentos, as pessoas, tentava achar uma maneira de pedir ajuda, uma maneira de sair dali. Não entendia porque o mantinham vivo, se não podia ver ninguém, se já não servia pra nada, se aquilo já não era vida, era uma sobrevivência torturante, era um sofrimento.
Por ironia do destino ou não, neste mesmo dia, enquanto caminhava pela rua da escola, indo pra casa, me deparo com um carro de policia, pensava ser um assalto, mas haviam fitas isolando aquela parte da calçada, um individuo caído no chão, com o rosto coberto, um homem morto, mais uma vida que se vai em plena luz do dia, caído na calçada, olhares curiosos, que adoram uma tragédia.
As minhas queixas, desesperos, desabafos e brigas em um dia, no outro a morte parece estar por todos os lados..
Então me deparo com a frase “O que importa afinal? Viver ou saber que está vivo?”
E isso, realmente faz sentido, pode-se estar morto mesmo que vivo..
Por que perder tanto tempo brigando, me lamentando, se eu nem sei por quanto tempo ainda vou ter a oportunidade de ver as coisas boas disso tudo? Se eu nem sei se vou ver o dia amanhecer? Por que me sacrificar hoje, pra ter um futuro melhor, se não sei se estarei presente no futuro.
Não quer dizer que vou largar trabalho, escola, e sair por ai fazendo festa sem pensar em nada, mas acho que tenho me privado muito de loucuras, tenho me privado dos impulsos, tenho me privado das surpresas e as coisas que privo são as que fazem os momentos realmente felizes, realmente alegres, são esses momentos que nos dão saudade no futuro, que nos fazem sentir vivos.
Eu tenho guardado os “eu te amo” em um dicionário nunca usado, está na hora de arrumar trabalho a eles, está na hora de demonstrar os sentimentos guardados a sete chaves.
Está na hora de saber que estou viva, de me sentir viva, de aceitar os sentimentos, de aceitar a minha vida, de me aceitar e me amar principalmente.
E é isso ai, um texto pra mim, depois de dias sem aceitar o que eu devo aceitar.

domingo, 21 de março de 2010

um outro mundo


Um mundo que me instiga, um mundo que receio, que me desperta certo medo.
É o mundo dos sonhos incontroláveis.
Não os diurnos, em que se pode projetar, que se pode criar, modificar, controlar..
São os noturnos que me deixam sem ar.
Ao fechar meus olhos embarco em uma viajem por um mundo mágico, criado pela minha mente, onde tudo pode acontecer.
Sonhos tranqüilos, com pássaros cantando a natureza.
Sonhos agitados, em uma montanha-russa.
Sonhos complicados, uma prova de física.
Sonhos românticos, um possível namorado.
Sonhos melancólicos, uma lembrança.
Sonhos estranhos, animais que falam.
Sonhos tristes, um parente morrendo.
Sonhos aterrorizantes, um seqüestro, um assalto.
Eu sonho de tudo, mas não lembro de todos, eu viajo pra um mundo que mexe comigo.
Em algumas vezes meus sonhos alertaram algo ocorrido em um próximo futuro.
Mas eu tenho medo dessa viajem, tenho medo de me perder por esse mundo, fisicamente me entrego a ele, sem ao menos dar-me conta.
Já cansei de acordar sufocando, já cansei de acordar chorando, já acordei com um pedaço de pano ao redor do pescoço.
Um dia sonhava que uma parede se fechava contra mim e não conseguia afasta-la, acordei embaixo da cama, batendo, desnorteada.
Eu converso, dou gargalhadas, soluço, sento, levanto, xingo.
Meus sonhos, as vezes, são tão reais que no dia seguinte procuro saber se foi realmente um sonho.
Como quando escrevo uma carta, ou converso com alguém pelo computador.
A sensação de tentar correr do perigo e não conseguir sair do lugar é desesperadora.
A realidade ilusória de perder alguém que ama, é insuportável.
Encontrar e viver um amor, depois acordar e dar-se conta que era tudo “um sonho” é frustrante.
Os sonhos me desgastam, os sonhos mexem comigo, mas este é um mundo do qual não tenho como fugir, não tenho como controlar, não tem o que discutir.
Cada dia uma aventura, cada dia um surpresa, cada viajem mais maluca, são experiências, são coisas que só nós vivemos, não tem como compartilhar, não tem como projetar, mais ninguém vai conhecer e saber do seu mundo imaginário, do mundo fantasioso ,o qual sua mente cria e reproduz, em cada noite, quando as luzes se apagam, seus olhos se fecham, desprendem-se deste mundo, mergulham no seu mundo.
Eu não sei qual dos dois é real, se os dois são reais, ou se é tudo coisa da minha mente, mas é tão bom não saber de nada e viver tudo, é tão bom ter a oportunidade de desfrutar destes sentimentos malucos, embaralhar a cabeça com minha duvidas e incertezas.
Sentir-se presa e solta, ter sua liberdade e não te-la ao mesmo tempo, não ter controle de si, não saber de nada, apenas viver, cada dia, cada momento, cada situação, da maneira que aquele momento merece, da maneira que julgo ser a certa, flash impulsivo, instantes súbitos de coragem, que nascem sem que percebam, mas que dão o impulso necessário a cada primeiro passo.
Eu tenho medo dos sonhos, mas não fujo deles, pois o melhor do medo é a superação.

quarta-feira, 17 de março de 2010

" Ilusão de paz, que não satisfaz.."



.. esse verso da música Viva la Revolucion, do Forfun, me fez pensar um pouco, sobre o que li mais cedo, sobre o que a professora falou e sobre o resultado de todo esse pensamento que vem a ser a realidade.

O que vem a ser “PAZ” hoje em dia?

Qual o significado dessa palavra na vida das pessoas modernas?

Paz pra eles é o carro mais caro, a mansão, as roupas de marca, as plásticas, festas, bebidas, o que está na moda..

È triste e decadente pensar dessa forma, mas a palavra “personalidade” perdeu seu sentido, foi extinta do dicionário popular.

Opinião-própria é um artigo raro, de luxo e para os poucos corajosos.

Tomar as próprias decisões em sua vida é atípico, é estranho.

Eles não percebem que estão sendo manipulados pela mídia, pela moda, pela sociedade..

E aii de alguém ousar chama-los de fantoches, ficam indignados, protestam, “-Eu tenho controle da minha vida, eu tenho personalidade sim!”

Não!Parem de se iludir, percebam-se, saiam um pouco de dentro de si, para de longe perceber como são manipuláveis, como são influenciáveis, como mesmo tendo suas opiniões, insistem em reprimi-las, insistem em obrigar a si mesmos a gostar do que todos gostam, insistem em fazer o que o todo faz, insistem em acreditar em tudo que escutam, concordam, seguem, copiam, mas nunca protestam.

Nunca estão satisfeitos, por que será?

Por que não é isso que querem, por que isso não satisfaz..

Sua paz é uma ilusão, o que chama de paz, não é paz, é conveniência, é preguiça de correr atrás de seus sonhos, é preguiça de sonhar, é preguiça de expor o que pensa, é o medo da opinião alheia que te faz segui-los, é o medo da reprovação que te faz calar.

O jovem, com toda sua vida, com toda sua energia, criatividade, com toda sua personalidade, também foi engolido pelo monstro esfomeado, destruidor de sonhos, chamado “globalização x mídia”.

Não estou dizendo que a globalização seja ruim, as pessoas tem que se unir, as pessoas são pessoas, não importa em que parte do mundo, somos todos iguais, a mídia tem sim suas qualidades, tem sim seus valores, mas a junção destes fatores está simplesmente tirando as características que fazem das pessoas únicas.

Esta tirando a essência do ser humano, esta furtando a cultura, a personalidade, a auto-confiança, a proximidade,está furtando a opinião-própria, o estilo, o carinho, e principalmente o amor.

O que eu vejo nas ruas?

Pessoas iguais, conceitos iguais, idéias iguais, ideais iguais, sonhos iguais, falta entusiasmo, falta paixão, falta ânimo, alegria, essa paz ilusória não está satisfazendo.

Como é confortável aceitar e seguir o que os outros fazem, uma simples votação foi feita, mas nela está a prova do quanto é difícil levarem a serio, do quanto é difícil esboçarem as próprias opiniões, um votou primeiro, todos os outros votaram no mesmo, por que? Preguiça de pensar em outra pessoa, medo de gerar um conflito, medo de assumir a causa.

Por que será que cada vez mais cedo jovens bebem e fumam?

Influências, seja ela por um amigo, pela sua insegurança, pela aprovação, pela televisão..

E sabe quem é o corajoso no fim das contas?

Sabe quem é aquele homem o bastante?

O que tem a decência de rejeitar o copo de cerveja, o cigarro, a maconha,.., ele não se importa com a opinião dos outros, não se importa de ser tachado, muito menos ridicularizado, pois ele sim tem plena consciência de que aquilo faz mal e que não é para ser visto com bons olhos pela “galera” que ele vai fazer algo que não quer, que não gosta e que ainda é prejudicial a sua saúde.

Feliz é aquele que consegue se aceitar da forma que é, aquele que consegue aceitar as próprias opiniões, consegue respeitar as próprias vontades, feliz é aquele que consegue ouvir a si antes de mais nada.

A doença da modernidade é a depressão.

Ela foi mais uma obra de toda essa loucura de estereótipos, de regras de como viver, de metas absurdas inatingíveis.

Pessoas entrão em depressão por que?

Por não serem perfeitas, como dizem que tem que ser.

Por dinheiro.

Por não ter uma vida perfeita.

Estão sobrecarregados.

È muita informação, é uma disputa incessante para ser a mais bela, a mais inteligente, bem sucedida, estar na moda, ter muitos amigos, muitos namorados, o melhor trabalho..

Uma vida desgastada, uma vida mal aproveitada, uma vida inteira tentando ser a primeira, uma vida inteira correndo em direção contrária a vida, uma vida jogada fora.

Essa paz, não satisfaz a mim e tente ser sincera consigo mesma uma vez na vida, não te satisfaz também, a diferença é que eu reconheço isso e comecei a jogar todo esse lixo fora, jogue antes que seja tarde.








"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente E quando a gente manda, ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude, nem doença sem cura.Na mudança de postura a gente fica mais seguro.Na mudança do presente a gente molda o futuro.."


Gabriel o Pensador