terça-feira, 27 de abril de 2010

dia-a-dia

A noite já reinava, seus ventos faziam a pele descoberta arrepiar-se.
Mas não se encontrava perto de casa, tinha ainda uma imensa escadaria a descer, até então chegar a parada, onde esperaria, como de costume, mais um ônibus super-lotado.
A tarde estava quente, por isso suas roupas eram leves, mas a leveza não amenizava este instante trêmulo, estas preocupações com horários e provas, o vento parecia congelar por dentro.
Descia distraída, enquanto lia uma folha de física, explicava por que o céu é azul e por que ao cair o sol, ganhava seus tons avermelhados.
Na folha dizia, que o vermelho e o laranja tornam-se muito mais vividos no crepúsculo, quando há poeira ou fumaça no ar, que estes tons são conseqüências nossas, de poluições e queimadas.
Parei então, um breve instante, contemplei aquele verde, o vento embalando as folhas, as casas acendendo as luzes pouco a pouco e o céu, nele um olhar mais carinhoso, estava dividido, de um lado negro, de outro ainda podia ver os tons alaranjados..
As causas pelas quais aqueles tons estavam ali, não são nada agradáveis e se deixasse de vê-los para que o mundo ficasse mais limpo, com certeza abriria mão daquela paisagem, mas guardei aquele momento só pra mim, em uma parte da memória onde não será apagada, o céu estava tão lindo, posso não ver outro como aquele, e certamente não verei, por mais que pareça, nunca é igual.
E foi pago um certo preço por aquele instante, horas esperando, o ônibus lotado que não chegava..
Na parada pessoas vinham, iam, vinham, iam, e nada
Um homem cego puxou assunto, estava alegre, andava por tudo, esperava ansioso seu ônibus, que por sinal, também veio lotado.
Foi-se ele, foram-se outros, e eu ainda ali..
Finalmente chegou, estou indo pra casa, um dos raros dias, minha mãe me busca na parada, viemos conversando, coisa atípica, um dia sem brigas.
Lembrei então de um pedaço do galho da árvore do colégio.
Mais um pequeno detalhe atípico, de um dia rotineiro.
A árvore pré-histórica do colégio caiu, era tão grande e bela.
Era tão bom se abrigar do sol embaixo dela, não sei por que, mas acho que fui a única pessoa que sentiu falta dela, que sentiu saudade daqueles galhos longos e fortes que davam um ar de natureza em meio aos cimentos.
Eu queria uma lembrança dela, por essa razão peguei um pedaço de galho, coisas minhas, parece meio maluco, é eu sei.
Mas todo mundo tem suas manias meio malucas, por mais que não admita, as borboletas também fazem parte do meu conjunto de maluquices, vejo em todos os cantos, todos os dias e pareço ser a única pessoa que se importa com a presença delas.
A também vi uma libélula hoje, lembrei daquele filme tão lindo, não sei por que essa mania por insetos.
Por falar em filme, assistindo tv ontem, assim por acaso, tava passando umas discussões sobre o filme, sobre a vida de Chico Xavier, eu nunca tinha me interessado muito, mas andei pesquisando um pouco a vida dele e sem dúvida foi e vai ser sempre um grande homem, (preciso muito ver este filme)..
Bom acho que isso é uma tentativa, de tirar um pouco dos pequenos detalhes que fazem de um dia rotineiro único, claro que tem muitos outros detalhes, mas a minha memória anda tão fraca, melhor não abusar muito.
Resumidamente frio, cansativo, mas bonito.

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"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente E quando a gente manda, ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude, nem doença sem cura.Na mudança de postura a gente fica mais seguro.Na mudança do presente a gente molda o futuro.."


Gabriel o Pensador