domingo, 3 de janeiro de 2010

O rádio então calou-se

Recusava-se a cantar
Talvez por que suas doces canções de amor
Trouxessem consigo uma melancolia importuna , desesperada , entediada.

Um céu negro
Poucas estrelas pratas embaralhadas, desordenadas
E as três marias vigiando cada ousado indicador
Uma lua tímida escondida entre nuvens assanhadas
Que dançavam com o vento fresco , fraco , barbado , galante

As ruas solitárias em uma madrugada esperançosa
De um verão egoísta
E um novo ano oportunista

O primeiro de janeiro foi ansiosamente esperado
Mas dormiu ao relento
Passou calado , abandonado
Como o José do semáforo.

Nem os fogos de artifício
Pouparam a impertinência
Do mendigo da esquina
Ele exigia silêncio

De que lhe importa um ano novo
Se o amanhã será igual ?

-Calem-se todos!
Gritou alguém
Os passarinhos estão a cantarolar
Vieram trazendo o dia
E a rotina de quem
Já não tem em que pensar.

Tenho saudades
Não sei de que
Talvez do ontem
Do carinho
Do ânimo
Da risada
Do destino

Quero um pouco de sorte e de vida.
-Dê-me aqui esta maçã colida!
Me fale do amor , da saudade , da esperança.
Me conte aquela velha anedota de criança.

Faça-me rir por um instante.
Faça-me esquecer que o amor esta distante.
Faça-me acreditar que o arco-íris tem um segredo.
E que posso sonhar sem medo.

Vou respirar junto as árvores
Pois na cidade já falta o ar.

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"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente E quando a gente manda, ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude, nem doença sem cura.Na mudança de postura a gente fica mais seguro.Na mudança do presente a gente molda o futuro.."


Gabriel o Pensador